A dança foi o primeiro caminho de Nara Couto — guiada pelo seu pai, Zebrinha, que lhe oferece assim o significado de "movimento" — que acabara por atravessar a sua vida e tornar-se também som. Das influências das sonoridades sempre constantes do Ilê Aiyê à passagem pela enorme Orquestra Afrosinfônica, a passagem da dança para a música fez-se de forma natural. Surgem os trabalhos autorais: Retinta, um grito de identidade. Ori, um mergulho na ancestralidade — com participações de músicos conceituados da Bahia como Mateus Aleluia e Luedji Luna. Percussões afro-brasileiras, guitarras marcantes e toques de eletrónica formam a base de um som que é raiz e (re)invenção. A Africanidade é cada vez mais afirmada na artista. África deixa de ser distância — é reencontro. O primeiro país visitado foi o Togo, onde vive em realidade o que antes pulsava na (sua) Bahia. Há mais de 10 anos, aprofunda essa conexão com o projeto "Outras Áfricas". Como artista, Nara define-se como uma colecionadora de sensações. Observadora, guarda vivências que, no tempo certo, renascem em forma de arte — guiadas pelo tempo da criação, um tempo (também) cultuado do universo das religiões afro-brasileiras. Sua arte é memória, resgate, presença e caminho. É identidade em construção, linha de água carregada de "dádivas" aprendidas. É reconexão constante... de um ontem que para Nara é sempre hoje que sabe a amanhã.... Um convite ao encontro nas ilhas de Cabo Verde, onde veio buscar uma das suas principais inspirações musicais — Sara Tavares. Nara Couto no palco Atlantic Music Expo será mais do que música — experiências em conceitos contados.

Nara Couto: Movimento, Som e a África que Sempre Esteve Lá
Nara Couto começou pela dança e chegou ao som — passando pela Bahia, pelo Togo e por uma africanidade que nunca foi distância. No AME, traz conceitos que se vivem, não apenas se ouvem.
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Paulo Lobo Linhares
1 min leitura
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